"Aqui não posso falar demais de cada detalhe das muitas histórias de uma longa existência, mas sempre que puder contarei um pedaço. Não para que se faça saber de mim, mas para ajudar aqueles que sofrem ou entram nos erros que vivi.
Em cada vida, como todos, tive um nome, mas na que vou narrar me chama Sabine. Morava no interior da França, num local chamado Provance. Eu já tinha 18 anos e ainda não havia casado. Não era muito bonita e meus 11 irmãos precisavam mias de mim como mãe do que como irmã. Trabalhava tanto que adoeci. Para que não contaminasse meus irmãos fui levada para um sanatório perto do mar, junto a umas tias. Lá conheci Bento. Ele era descendente de Italianos e trabalhava no porto. Me apaixonei. A ele me entreguei sem muito pensar. Quando senti o filho virando em minhas entranhas chorei de alegria, mas Bento não. Ele nunca quis me desposar e tinha lá suas namoradas espalhadas por alguns lugares. Fugiu. Mesmo assim meu amor por ele não desapareceu e a cada dia aumentava mais. Minhas tias queriam esconder a gravidez de meus pais e deram minha criança para adoção. Senti um misto de alivio e dor da perda. Passaram-se anos e me vi realmente fadada a cuidar do filho dos outros, inclusive de Bento que voltou um dia casado, com esposa enferma e eu lavava e passava para me sustentar e as roupas deles muito lavei.
Conforme meus dias passavam e minhas juntas doiam, fui encrudecendo, endurecendo de alma. Amava as crianças que cuidava e sobre seus cabelinhos finos caiam sempre minhas lagrimas.
Um dia Bento chega com uma criança com febre nos braços e eu a cuido. Mas ela falece. Numa crise de ira Bento me esbofeteia, me ofende, me machuca. Depois de ficar de pé novamente, tomada de ira, vou até sua casa e com uma peça de ferro que tinha na decoração de sua casa dou cabo de sua vida, descontando nele toda minha frustração.
Meu ódio me deixou louca e do outro lado da vida, após meu tempo na terra, continuei fechada ao amor e perseguindo o espírito dos homens que abandonavam as mulheres que engravidavam. Na minha mente era justiça o que fazia, quando na verdade era apenas a loucura de minha própria frustração. Ajudei em feitiços, incentivei toda sorte de atrocidades feitos por elas. Sim eles erram e não devem errar, mas quem era eu pra me colocar no lugar de Deus.
A cada etapa eu me perdia mais. Renasci como uma filha de Puta e Puta eu fui. Mas era mais feliz como rameira do que como mulher virgem que outrora fui. Era linda e os seduzia e judiava. Mas meus amor pelas crianças, minha tabua de salvação, fez como que na velhice trocasse o bordel por um orfanato para as filhas das demais rameiras que ao longo do caminho encontrei. E ali não ganhei minha redenção pois esta só acontece quando o coração transborda do sagrado amor e embora e amasse cada rostinho ajudado eu não conseguia perdoar aqueles que os abandonaram.
Assim ganhei meu trono de guardiã de esquerda. Missão? Dar força a todos aqueles que seja por qual motivo se vêem em mãos com uma alma em corpo de criança e não sabem o que fazer. Tanto homens quanto mulheres. E aqui ficarei ajudando e auxiliando até que eu mesma compreenda este mistério de suas vidas a ponto de amá-los mesmo assim.
Aqui não me apresento como Esséia, exu mulher, mas como entidade sem linha, como guardiã em qualquer lugar do além, onde possa bem cumprir minha missão e quem sabe um dia ascender. Tenho carinho por cada um que atua em meu degrau. Sou ainda implacável por aqueles que usam de desculpas vãs para machucar. Por isso sou guardiã e não anjo. Vim ensinar, dar força, amparar, pois na evolução nossos caminhos precisam ser árduos muitas vezes para que consigamos a experiência certa de aprendizado.
Para todos pais e mães que entram em desespero, para vitimas de violência e que as forças e o centro lhes faltar. Trarei auxílio e força. No banho das rosas vermelhas e na falta delas somente água rezada com pai nosso por cristãos ou outra oração pelos de qualquer crença trarei coragem. Saibam que cada um que me deixar ajudar é a minha alma que salva, pois por pior que seja sua situação para mim será um alento poder cumprir minha missão.
Senhora Rosa Vermelha de Lira.

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